Você passa a sua vida tentando se sentir encaixado. Não digo tentando se encaixar, são duas coisas diferentes
Ai então, vem alguém que te rouba. Rouba o seu coração e cuida dele, como se fosse o tesouro mais precioso.
Mas um dia, isso acha de acabar. E acaba.
O mundo começa a cair aos pouquinhos, você segura cada pedaço e cola, mas a cola seca e tudo volta a ruir. Quando você sentia pertencer-se a alguém, havia uma cumplicidade - surda e cega - nunca muda.
E quando acaba, aquela pessoa que te tocou voa para tão longe que se faz impossível tê-la de novo, e você, tocado, permanece aonde está. Sem pertencer a ninguém, sozinho e perdido nas emoções, cada vez mais perto de uma borda, de um limite imaginário.
Depois que você é tocado uma primeira vez, depois que você se sente pertencendo a alguém uma primeira vez, você nunca mais é o mesmo.
"Cheiro de menta e pipoca, Gosto de tomate, Vontade de chiclete. E tudo isso com pimenta"
Quem sou eu
- R.
- Me abre, me lê, confessa. Sou eu quem sei todos os seus segredos traduzidos em meus conflitos. Vem
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
sábado, 14 de abril de 2012
Fim
Escorrendo, um pequeno fio de água.
Me escapa e vai se esvaindo cada vez mais, cada vez mais. Não há pensamento mais certo que aquele do fim.
Quando sua vida chega ao fim e a luz finalmente chega. Não há pensamento mais certo do que esse.
Não caro leitor, o fim da vida não necessariamente é o fim do seu corpo físico mas sim o fim de um ideia, de um ideal...
O fim é apenas o começo do resto das nossas vidas.
Me escapa e vai se esvaindo cada vez mais, cada vez mais. Não há pensamento mais certo que aquele do fim.
Quando sua vida chega ao fim e a luz finalmente chega. Não há pensamento mais certo do que esse.
Não caro leitor, o fim da vida não necessariamente é o fim do seu corpo físico mas sim o fim de um ideia, de um ideal...
O fim é apenas o começo do resto das nossas vidas.
terça-feira, 3 de abril de 2012
desculpa
- Olha, me desculpa.
- Não é a mim que você deve desculpas...
- Mas se foi para você que eu não mandei mensagens? Devo desculpas a quem?
- Ao meu coração. É ele quem se machuca quando, mesmo sem querer, você provoca uma desatenção... Cuida, pra que ele não pare de bater.
- Não é a mim que você deve desculpas...
- Mas se foi para você que eu não mandei mensagens? Devo desculpas a quem?
- Ao meu coração. É ele quem se machuca quando, mesmo sem querer, você provoca uma desatenção... Cuida, pra que ele não pare de bater.
terça-feira, 20 de março de 2012
Estranho natural
Esse toque íntimo, da minha sanidade aos prazeres utópicos.
Fora da minha zona de conforto, mas em uma zona que me deveria ser de conforto, junto àquele estranho natural que nem sei mais se conheço. Rei, réu ou rainha, nada importa para os prazeres que provei apenas no toque e nada mais.
O prazer que nunca me foi carnal, sempre foi inventado por aquela ponta de ilusão que adoça todas as minhas experiências.
Mas matei, a mim e ao rei, fui réu e condenado pelo crime perfeito. Condenado à felicidade momentânea, como um espasmo.
Então, vitimei o meu íntimo, aquele que nunca deixou de ser réu, e me tornei o rei.
Sozinho.
Fora da minha zona de conforto, mas em uma zona que me deveria ser de conforto, junto àquele estranho natural que nem sei mais se conheço. Rei, réu ou rainha, nada importa para os prazeres que provei apenas no toque e nada mais.
O prazer que nunca me foi carnal, sempre foi inventado por aquela ponta de ilusão que adoça todas as minhas experiências.
Mas matei, a mim e ao rei, fui réu e condenado pelo crime perfeito. Condenado à felicidade momentânea, como um espasmo.
Então, vitimei o meu íntimo, aquele que nunca deixou de ser réu, e me tornei o rei.
Sozinho.
domingo, 18 de março de 2012
O ato
Não há companhia em uma noite morna e pouco ventilada de sábado.
Uma destemida gota de suor me cruza, impetuosa, sabendo que corre para a morte, mas ela é minha única companhia , breve, por assim se dizer.
Eu só queria ouvir uma voz, qualquer que seja.
O calor de um toque ou a frieza de um olhar.
A minha urgência física nunca conseguiu se calar, e na multidão de vozes que se fez do silêncio brotaram dos olhos as minhas outras companheiras da noite.
Uma destemida gota de suor me cruza, impetuosa, sabendo que corre para a morte, mas ela é minha única companhia , breve, por assim se dizer.
Eu só queria ouvir uma voz, qualquer que seja.
O calor de um toque ou a frieza de um olhar.
A minha urgência física nunca conseguiu se calar, e na multidão de vozes que se fez do silêncio brotaram dos olhos as minhas outras companheiras da noite.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Gosto de tomate
Em meio aos lençóis, cigarros, vinho e o meu blues, que apelidei carinhosamente de samba.
Um pedaço da noite em que acordo do meu eterno sonho e finalmente me acho em meio à lucidez, faz-me necessário escrever e colocar pra fora aquilo que me prende e revolta. Se me permitem a paráfrase, caros leitores, porque sim este texto foi feito para vocês. Mas, se me permitem tal paráfrase, a vida é na verdade, uma luta de grandes egos.
Permitam-me então fazer comparação e inferência infeliz aonde percebo que por egos eu quero dizer máscaras, sim.
Gostaria de poder conseguir expressar por palavras a agonia e nojo que sinto de mim, dentro de mim. Algo repulsivo que de alguma maneira me faz achar que consigo esconder atrás de palavras bonitas o que eu realmente sou: o objeto repulsivo. Não caro leitor, por favor, mas a última coisa que preciso é da sua pena, guarde sua máscara para os outros, espero apenas o mísero da sua sinceridade ao sentir, ao menos, nojo de mim assim como eu sinto.
Um pedaço da noite em que acordo do meu eterno sonho e finalmente me acho em meio à lucidez, faz-me necessário escrever e colocar pra fora aquilo que me prende e revolta. Se me permitem a paráfrase, caros leitores, porque sim este texto foi feito para vocês. Mas, se me permitem tal paráfrase, a vida é na verdade, uma luta de grandes egos.
Permitam-me então fazer comparação e inferência infeliz aonde percebo que por egos eu quero dizer máscaras, sim.
Gostaria de poder conseguir expressar por palavras a agonia e nojo que sinto de mim, dentro de mim. Algo repulsivo que de alguma maneira me faz achar que consigo esconder atrás de palavras bonitas o que eu realmente sou: o objeto repulsivo. Não caro leitor, por favor, mas a última coisa que preciso é da sua pena, guarde sua máscara para os outros, espero apenas o mísero da sua sinceridade ao sentir, ao menos, nojo de mim assim como eu sinto.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Dançando
Me assombra a maneira com que me tomo de independência, como se tivesse nascido pra viver nessa solidão cosmopolita de uma grande metrópole.
Vão e vem, a inegável profecia de todo dia, e se perdem em um mundo ao qual eu não pertenço.
- Passaram, não sei quantos por mim, não os vi - Eis a minha eterna preocupação.
Mas me perco, nesse súbito momento de lucidez, e volto à minha única companhia: solidão.
Como um grito mudo para uma sociedade surda, a vontade de estar com alguém se retorce em meu íntimo me revirando as entranhas, mas logo é acalmada com aquele som de silêncio que pesa os ouvidos. Ela então me pega e conduz, como o homem da relação. Eu danço a sua música, cujo ritmo é ditado pela batida do meu coração e a melodia são os passos, as buzinas e as conversas pegas pela metade, de pessoas que encontraram a sua metade.
Mas eu continuo, sempre cinza, sempre à margem. Com todos e sem ninguém: a maior dicotomia da minha vida.
Vão e vem, a inegável profecia de todo dia, e se perdem em um mundo ao qual eu não pertenço.
- Passaram, não sei quantos por mim, não os vi - Eis a minha eterna preocupação.
Mas me perco, nesse súbito momento de lucidez, e volto à minha única companhia: solidão.
Como um grito mudo para uma sociedade surda, a vontade de estar com alguém se retorce em meu íntimo me revirando as entranhas, mas logo é acalmada com aquele som de silêncio que pesa os ouvidos. Ela então me pega e conduz, como o homem da relação. Eu danço a sua música, cujo ritmo é ditado pela batida do meu coração e a melodia são os passos, as buzinas e as conversas pegas pela metade, de pessoas que encontraram a sua metade.
Mas eu continuo, sempre cinza, sempre à margem. Com todos e sem ninguém: a maior dicotomia da minha vida.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Tá na minha hora
Porque eu já não consigo mais fazer aquelas palavras, sem razão, sem noção, tornem-se aqueles poemas de amor que eu tanto sonhei em dedica-los?
Será que eu sou assim, frio como uma daquelas travesses de aço que costumamos ter na cozinha?
Ultimamente a cozinha tem me servido como um prato cheio para as metáforas que ouso em arranhar. Queria continuar sendo aquele prato cheio e bem-servido, palavras a não me faltarem e poemas de amor, por assim se dizer, continuarem a jorrar gostosos de mim, como aquele vinho tinto.
Mas não há vinho, não há prato cheio.
Há somente a frigidez, a rigidez e a inapetência.
Por favor, porque não posso voltar a ser o que sempre achei que fosse?
Será que eu sou assim, frio como uma daquelas travesses de aço que costumamos ter na cozinha?
Ultimamente a cozinha tem me servido como um prato cheio para as metáforas que ouso em arranhar. Queria continuar sendo aquele prato cheio e bem-servido, palavras a não me faltarem e poemas de amor, por assim se dizer, continuarem a jorrar gostosos de mim, como aquele vinho tinto.
Mas não há vinho, não há prato cheio.
Há somente a frigidez, a rigidez e a inapetência.
Por favor, porque não posso voltar a ser o que sempre achei que fosse?
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Memória remota
encontrar. sentir. viver.
e tudo como foi daquela vez.
ouvir. cheirar. chorar
um ciclo interminável.
e tudo como foi daquela vez.
ouvir. cheirar. chorar
um ciclo interminável.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Hollow
Mas, por mais e sem saber, eu vou me afundando.
Um buraco, ou talvez apenas a continuação inconsistente do meu próprio ser se desmantela e vai se esvaindo. Hoje ela flui com a viscosidade de um mel, mas apenas por aquele tempo indeterminado que não sei aonde começa ou quando acaba, só sei que tenho medo do que está por vir... Ou do que já chegou.
Sinto aquele medo, aquela ausência e angústia que senti há muito tempo atrás e me perco nela novamente. e caio. levanto. sozinho...
sozinho...
zinho...
inho...
o...
Um buraco, ou talvez apenas a continuação inconsistente do meu próprio ser se desmantela e vai se esvaindo. Hoje ela flui com a viscosidade de um mel, mas apenas por aquele tempo indeterminado que não sei aonde começa ou quando acaba, só sei que tenho medo do que está por vir... Ou do que já chegou.
Sinto aquele medo, aquela ausência e angústia que senti há muito tempo atrás e me perco nela novamente. e caio. levanto. sozinho...
sozinho...
zinho...
inho...
o...
sábado, 13 de agosto de 2011
Ei você
Só queria saber.
Me vejo em espelho mais limpo da reflexão da minha alma.
Me lê como se não houvessem segredos ou traumas e ainda consegue decifrar o que nem mesmo qualquer daquelas sinápses me diz. E sofre, sofre aquilo que já passei como se fosse mais um eu no meu peito. E grita como se assim pudesse aliviar aquela dúvida: Petrificado ou curado? Vivendo em charlatanismo ou com o mais profundo dos sentimentos?
Grita, grita e me responde. Arranca todas essas perguntas como se as respostas fossem elas próprias.
E vive
Me vejo em espelho mais limpo da reflexão da minha alma.
Me lê como se não houvessem segredos ou traumas e ainda consegue decifrar o que nem mesmo qualquer daquelas sinápses me diz. E sofre, sofre aquilo que já passei como se fosse mais um eu no meu peito. E grita como se assim pudesse aliviar aquela dúvida: Petrificado ou curado? Vivendo em charlatanismo ou com o mais profundo dos sentimentos?
Grita, grita e me responde. Arranca todas essas perguntas como se as respostas fossem elas próprias.
E vive
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Clichês acabam assim
...foi quando ele virou pra mim e disse que nada mais fazia sentido, me pegou nos braços e me deu um beijo com gosto de fim.
eu falei, um som quase inaudível:
- Eu vou guardar esse beijo até o dia em que nos reencontrarmos.
ele entrou no avião sem olhar pra trás e sem dizer tchau ou hesitar com medo. Ele sabia o que queria e eu não sabia que havia perdido o amor da minha vida para aquelas nuvens.
alguns minutos depois, meu celular tocou e eu pude ler as suas palavras de adeus:
"Eu queria dizer que não é um adeus, e sim um até logo... mas não tenho mais certeza de nada."
eu falei, um som quase inaudível:
- Eu vou guardar esse beijo até o dia em que nos reencontrarmos.
ele entrou no avião sem olhar pra trás e sem dizer tchau ou hesitar com medo. Ele sabia o que queria e eu não sabia que havia perdido o amor da minha vida para aquelas nuvens.
alguns minutos depois, meu celular tocou e eu pude ler as suas palavras de adeus:
"Eu queria dizer que não é um adeus, e sim um até logo... mas não tenho mais certeza de nada."
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Olhos
Olhos. Olhos cansados de uma noite em claro.
Olhos de quem esperou por nada.
Olhos de um amor preocupado.
Olhos de imaturos de ressaca, olhos
Me olhe, diga em meus olhos o que vai ser da gente.
Olhos não se encontram.
Olhos são cumplices do crime perfeito: o de se apaixonar.
Finalmente me diga, o que eu posso fazer quando você esquece seus olhos em cima de mim e me arrepia.
Não, pra mim ainda não acabou.
Eu só quero que você volte, pra mim, por mim, por nós.
Volta.
Olhos de quem esperou por nada.
Olhos de um amor preocupado.
Olhos de imaturos de ressaca, olhos
Me olhe, diga em meus olhos o que vai ser da gente.
Olhos não se encontram.
Olhos são cumplices do crime perfeito: o de se apaixonar.
Finalmente me diga, o que eu posso fazer quando você esquece seus olhos em cima de mim e me arrepia.
Não, pra mim ainda não acabou.
Eu só quero que você volte, pra mim, por mim, por nós.
Volta.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Nunca foi
Sangrando, secretamente, para que ninguém descobrisse - não - eu não queria a piedade de ninguém, queria esquecer de tudo à minha volta e morrer quieto em meu canto.
Deitei-me, com o orgulho e o corpo feridos... Mal conseguia deixar meus olhos abertos e a respiração já pesava . Fechei os olhos e tentei dormir, mas antes que eu pudesse evitar, aquela lágrima quente desceu meus olhos ao tempo que a tempestade de aproximava. Me encolhi o máximo que pude para não me molhar, mas a chuva já ardia em mim e misturava-se com minhas lágrimas.
- Aquele Leão orgulhoso não iria ceder nunca, choraria sozinho mesmo ao saber que precisava de alguém -
Adormeci sem perceber, não sabia o quanto havia dormido, sei apenas que ao acordar já não doía mais, e era só uma questão de tempo até que eu estivesse em plena força para ir atrás daquele que me feriu.
- Aquele Leão orgulhoso não iria parar até que cortasse o último músculo do seu algoz -
Encontrei-o denovo, ele não esperava pela minha presença, foi pego desprevinido e ainda assim não foi fácil. Mas eu o venci.
Dilacerei a sua carne e finalmente achei aquele músculo pulsante em seu peito, senti uma terrível repulsa ao pensar em comê-lo, preferi pisar enquanto eu gritava para o nada... e mais uma vez, eu continuava sozinho sob aquela tempestade.
Deitei-me, com o orgulho e o corpo feridos... Mal conseguia deixar meus olhos abertos e a respiração já pesava . Fechei os olhos e tentei dormir, mas antes que eu pudesse evitar, aquela lágrima quente desceu meus olhos ao tempo que a tempestade de aproximava. Me encolhi o máximo que pude para não me molhar, mas a chuva já ardia em mim e misturava-se com minhas lágrimas.
- Aquele Leão orgulhoso não iria ceder nunca, choraria sozinho mesmo ao saber que precisava de alguém -
Adormeci sem perceber, não sabia o quanto havia dormido, sei apenas que ao acordar já não doía mais, e era só uma questão de tempo até que eu estivesse em plena força para ir atrás daquele que me feriu.
- Aquele Leão orgulhoso não iria parar até que cortasse o último músculo do seu algoz -
Encontrei-o denovo, ele não esperava pela minha presença, foi pego desprevinido e ainda assim não foi fácil. Mas eu o venci.
Dilacerei a sua carne e finalmente achei aquele músculo pulsante em seu peito, senti uma terrível repulsa ao pensar em comê-lo, preferi pisar enquanto eu gritava para o nada... e mais uma vez, eu continuava sozinho sob aquela tempestade.
sábado, 23 de abril de 2011
A última mensagem
...E então olhe pra trás, mas não se perca no que não vale a pena.
Pense que o inevitável só se pode evitar quando nenhuma lágrima é derramada por ele.
Apague a última vela mesmo sem a certeza de que ficará bem, com certeza outra irá se acender para te guiar, e não te prender. Com aquela certeza, siga, mesmo que temporariamente não seja o que você quer.
Siga e se perca
Pense que o inevitável só se pode evitar quando nenhuma lágrima é derramada por ele.
Apague a última vela mesmo sem a certeza de que ficará bem, com certeza outra irá se acender para te guiar, e não te prender. Com aquela certeza, siga, mesmo que temporariamente não seja o que você quer.
Siga e se perca
quinta-feira, 24 de março de 2011
Sem leite ou biscoitos
Me faz uma falta tão grande que as vezes eu prefiro fingir que não existe. Não posso e nem devo te culpar por essa ausência inquietante em meu peito, como aquele presente que você esperou durante muito tempo para ganhar e descobre que infelizmente o Papai Noel não existe e não vem dessa vez.
Agora é torcer pra que o bom velinho venha esse ano.
Agora é torcer pra que o bom velinho venha esse ano.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Colegial
Eu me demorava à mesa do café, porque aliás, eu podia fazer isso... aquele tédio engraçado não me consumia como deveria, eu queria me queixar dele mas na verdade ele era até bom.
Enquanto eu via alguns queixando-se do tédio, o ser inanimado, que parecia mais animado do que nunca, que me incomodava era o calor. Eu brincava com o pão-com-manteiga que fizera com tanto carinho para então comê-lo, era quase um ritual de preparação e em pouco tempo, todo aquele amido estaria sendo digerido pela amilase presente em minha boca e pelo resto do meu sistema digestivo, que aliás era um dos poucos assuntos da biologia que não me chamavam atenção. Eu continuava a brincar com o pão e a manteiga parecia derreter-se mais com o passar do tempo, eu não a culpava, suas fracas interações não eram capazes de suportar aquele calor de rachar o crânio, eu estava me sentindo uma planta dentro de uma estufa.
Alguma coisa chamou minha atenção na varanda de casa, que aliás, era uma boa casa. Grande e com aquele aspecto nostálgico de uma elegância perdida com o tempo e pelo mau-uso. Olhei então pra varanda e pude ver o sol enganando meus olhos do lado de fora, eu via a refração, difração e, se não me engano, reflexação da luz devido a diferença de temperatura e pressão ocasionada por aquele insuportável astro-rei.
Continuei então demorando com o pão até que decidi, sem ritual nenhum, comê-lo. Não me demorei mais à mesa, tomei o meu suco e levantei para o nada, que me forçava ter o tempo para fazer o que eu tinha dom (o meu único aliás) que era cozinhar. Me encaminhava para a cozinha, com aquele passo de domingo pelo manhã e então me lembrei que deveria fumar... Fumar era um daqueles dons forçados, nunca gostei mas me acostumei, porque sempre me pareceu mais fácil acostumar-se com as coisas do que lutar contra elas.
Me encaminhei para a varanda, acendendo o cigarro, e encontrei o meu vizinho na varanda dele. Era meu amigo de longa data, nos conhecemos no... colegial, como chamavam na minha época.
Sentei-me na cadeira de balanço que eu deixava na varanda, estratégicamente posicionada frente-a-frente com a varanda do meu amigo. Ambos nos sentamos e começamos a conversar...
A conversa rendeu, como sempre, até que... até que...
Não sei, ele ficou em silêncio de repente...
Até que tudo pareceu muito silencioso para mim...
Nem mesmo o vento ousava se mover...
Aonde eu estava, foi o que me perguntei quando olhei ao redor e não conseguia reconhecer nada. A única coisa que reconheci foi o rosto jovem do meu amigo me chamando pra ir com ele, e quando olhei pra mim mesmo, todas aquelas rugas haviam sumido e o cabelo estava no lugar que deveria estar. Estranho, mas fomos juntos e olha... encontramos tantos dos nossos amigos daquele tal "colegial"
Enquanto eu via alguns queixando-se do tédio, o ser inanimado, que parecia mais animado do que nunca, que me incomodava era o calor. Eu brincava com o pão-com-manteiga que fizera com tanto carinho para então comê-lo, era quase um ritual de preparação e em pouco tempo, todo aquele amido estaria sendo digerido pela amilase presente em minha boca e pelo resto do meu sistema digestivo, que aliás era um dos poucos assuntos da biologia que não me chamavam atenção. Eu continuava a brincar com o pão e a manteiga parecia derreter-se mais com o passar do tempo, eu não a culpava, suas fracas interações não eram capazes de suportar aquele calor de rachar o crânio, eu estava me sentindo uma planta dentro de uma estufa.
Alguma coisa chamou minha atenção na varanda de casa, que aliás, era uma boa casa. Grande e com aquele aspecto nostálgico de uma elegância perdida com o tempo e pelo mau-uso. Olhei então pra varanda e pude ver o sol enganando meus olhos do lado de fora, eu via a refração, difração e, se não me engano, reflexação da luz devido a diferença de temperatura e pressão ocasionada por aquele insuportável astro-rei.
Continuei então demorando com o pão até que decidi, sem ritual nenhum, comê-lo. Não me demorei mais à mesa, tomei o meu suco e levantei para o nada, que me forçava ter o tempo para fazer o que eu tinha dom (o meu único aliás) que era cozinhar. Me encaminhava para a cozinha, com aquele passo de domingo pelo manhã e então me lembrei que deveria fumar... Fumar era um daqueles dons forçados, nunca gostei mas me acostumei, porque sempre me pareceu mais fácil acostumar-se com as coisas do que lutar contra elas.
Me encaminhei para a varanda, acendendo o cigarro, e encontrei o meu vizinho na varanda dele. Era meu amigo de longa data, nos conhecemos no... colegial, como chamavam na minha época.
Sentei-me na cadeira de balanço que eu deixava na varanda, estratégicamente posicionada frente-a-frente com a varanda do meu amigo. Ambos nos sentamos e começamos a conversar...
A conversa rendeu, como sempre, até que... até que...
Não sei, ele ficou em silêncio de repente...
Até que tudo pareceu muito silencioso para mim...
Nem mesmo o vento ousava se mover...
Aonde eu estava, foi o que me perguntei quando olhei ao redor e não conseguia reconhecer nada. A única coisa que reconheci foi o rosto jovem do meu amigo me chamando pra ir com ele, e quando olhei pra mim mesmo, todas aquelas rugas haviam sumido e o cabelo estava no lugar que deveria estar. Estranho, mas fomos juntos e olha... encontramos tantos dos nossos amigos daquele tal "colegial"
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Ojesed
Ele estava sentado na cama, suado e exausto. Olhou para trás e a viu enrolada nos lençóis, a sua beleza inconfundível mesmo de costas, a lua que adentrava a janela entreaberta do ninho de amor realçava as curvas dela, o desenho de sua pele àquela luz era quase divino.
Ele se sentia confuso com tudo, a noite havia sido perfeita, o jantar, as flores, as risadas e até mesmo o sexo. Mas ele sentia que ainda lhe faltava algo, algo que talvez ele mesmo havia criado em sua perspectiva de vida. Lhe faltava algo ao qual ninguém nunca soube explicar, o que era, de onde vinha ou como conseguir... Coisas como essas deveriam vir em manuais, detalhadamente explicados, não com aqueles termos difícieis "ocitocina, serotonina...".
Ela se virou, afagou-lhe as costas do namorado e perguntou porquê ele estava acordado. Ainda em um tom meio distante, ele tentou disfarçar, disse que não era nada.
Mas ela não se convenceu, parecia saber o que ele pensava e respondeu, mesmo sem nenhuma pergunta ter sido lançada:
- Você ainda se preocupa com isso, meu bem? Eu estou aqui com você, eu te amo.
Ele levantou a cabeça, não a olhou, faltou-lhe coragem.
- Não é você o problema, sou eu. Não sei se estou pronto para isso que chamam de amor, aliás eu desconheço o que seja isso, fico assustado à menor menção desta palavra. Não me sinto uma pessoa por completo e que tenha capacidade para então, amar outra.
Ambos calaram-se, o silêncio pesou em seus ouvidos. Até que ela falou:
- Mas não se prenda. Não ache e tome como verdade para si o que os outros dizem, experimente, viva. Não se deixe prender por não ter coragem de enfrentar a realidade.
Ele finalmente conseguiu encara-la:
- Estou preso porque quero, é tão mais reconfortante para mim viver nesse mundo criado por mim... aonde conceitos como 'amor' são apenas banais e...
- Shh... - ela o interrompeu - Então esqueça esses conceitos, esses rótulos. Esqueça todas essas idéias que plantam em sua cabeça. Nunca lhe disseram que definir é limitar? Apenas te peço que viva, e então descubra, tudo em seu tempo, o que vc quer descobrir.
Ele assentiu com a cabeça, e se sentindo muito mais leve beijou os lábios da namorada e deitou-se ao lado dela. Seus pensamentos voaram longe com o desfecho daquela noite.
Ele se sentia confuso com tudo, a noite havia sido perfeita, o jantar, as flores, as risadas e até mesmo o sexo. Mas ele sentia que ainda lhe faltava algo, algo que talvez ele mesmo havia criado em sua perspectiva de vida. Lhe faltava algo ao qual ninguém nunca soube explicar, o que era, de onde vinha ou como conseguir... Coisas como essas deveriam vir em manuais, detalhadamente explicados, não com aqueles termos difícieis "ocitocina, serotonina...".
Ela se virou, afagou-lhe as costas do namorado e perguntou porquê ele estava acordado. Ainda em um tom meio distante, ele tentou disfarçar, disse que não era nada.
Mas ela não se convenceu, parecia saber o que ele pensava e respondeu, mesmo sem nenhuma pergunta ter sido lançada:
- Você ainda se preocupa com isso, meu bem? Eu estou aqui com você, eu te amo.
Ele levantou a cabeça, não a olhou, faltou-lhe coragem.
- Não é você o problema, sou eu. Não sei se estou pronto para isso que chamam de amor, aliás eu desconheço o que seja isso, fico assustado à menor menção desta palavra. Não me sinto uma pessoa por completo e que tenha capacidade para então, amar outra.
Ambos calaram-se, o silêncio pesou em seus ouvidos. Até que ela falou:
- Mas não se prenda. Não ache e tome como verdade para si o que os outros dizem, experimente, viva. Não se deixe prender por não ter coragem de enfrentar a realidade.
Ele finalmente conseguiu encara-la:
- Estou preso porque quero, é tão mais reconfortante para mim viver nesse mundo criado por mim... aonde conceitos como 'amor' são apenas banais e...
- Shh... - ela o interrompeu - Então esqueça esses conceitos, esses rótulos. Esqueça todas essas idéias que plantam em sua cabeça. Nunca lhe disseram que definir é limitar? Apenas te peço que viva, e então descubra, tudo em seu tempo, o que vc quer descobrir.
Ele assentiu com a cabeça, e se sentindo muito mais leve beijou os lábios da namorada e deitou-se ao lado dela. Seus pensamentos voaram longe com o desfecho daquela noite.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
"Amorestesia'
Na inapetência do meu ser, sem ter mais no que e aonde viver, eu vivi. Mas vivi com aquela sensação de morte e prisão, com alguma coisa que pulsava inquieta em meu íntimo me fazendo questionar o porque daquele sentimento que me prendia como uma teia invisível e não me deixava aproveitar aquela talvez aterradora liberdade a qual eu nasci para.
Não sei se por conforto em meu íntimo, eu sinta apenas para ficar preso e não sofrer ou poder ter algo para culpar. Eximir-se de qualquer culpa parece tão delicioso, por pior que seja.
É talvez, algo que eu devesse aprender a controlar, engraçado como as certezas nos fogem da cabeça e as vezes nos desestruturam por completo. Mas é diante de todas essas verdades, e percebendo para o que eu nasci, que eu tenho cada vez mais certeza da minha necessidade, mesmo isso fazendo com que eu me torne vulnerável, mesmo isso me concedendo de graça um ponto fraco. A sinestesia dos meus amores não passa de nada além de uma tentativa falha para me assegurar de qualquer sofrimento.
E eu não quero mais.
Não sei se por conforto em meu íntimo, eu sinta apenas para ficar preso e não sofrer ou poder ter algo para culpar. Eximir-se de qualquer culpa parece tão delicioso, por pior que seja.
É talvez, algo que eu devesse aprender a controlar, engraçado como as certezas nos fogem da cabeça e as vezes nos desestruturam por completo. Mas é diante de todas essas verdades, e percebendo para o que eu nasci, que eu tenho cada vez mais certeza da minha necessidade, mesmo isso fazendo com que eu me torne vulnerável, mesmo isso me concedendo de graça um ponto fraco. A sinestesia dos meus amores não passa de nada além de uma tentativa falha para me assegurar de qualquer sofrimento.
E eu não quero mais.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Vítima
Eu que conheço cada detalhe dela... tirá-la de mim será como arrancar um pedaço da minha alma. Eu não quero ir embora.
- Por favor mãe, não deixe que a tirem de nós. Aqueles algozes irão matá-la aos poucos.
Eu que aqui nasci não tenho mais direito de permanecer.
- Por favor mãe, não deixe que a tirem de nós. Aqueles algozes irão matá-la aos poucos.
Eu que aqui nasci não tenho mais direito de permanecer.
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