Recostado na parede fria, numa dessas noites quentes de verão, eu me perdia na incerteza da palavra mais certa que você nunca me disse - "adeus".
E assim se fazia a minha noite; entre o copo que subia e descia, pousava e repousava sobre o papel, o cigarro que me matava e Bethânia a gritar no rádio. Eu estava mais uma vez perdido.
Uma piscada de olhos errada e minha mente afundava com a ajuda de centenas de mãos para um desses cantinhos escuros da nossa memória, aqueles cujo tempo, ao invés de curar, tira de ser centro das atenções.
Aos poucos eu me lembrava do seu cheiro, do seu gosto, do seu tato, do seu sexo. De repente já estava sorrindo, brincando com você nas minhas lembranças mais gostosas aonde o vinho ajudava a torná-las o mais real possível.
Eu queria você de volta - mas de volta de onde? Se nem acabado a nossa relação tinha - sim, a nossa relação nunca acabou fisicamente mesmo eu sabendo que não éramos mais os mesmos - perdão, não somos mais os mesmos - eu me forçava a acreditar nisso pra conseguir perceber que mesmo juntos, como namorados, não estamos passando de bons amigos.
Eu tomava o última gole do vinho, esperando uma ligação que nunca chegaria. Você estava longe, assim como eu.
- É, é melhor acabar - Pensei com uma lágrima forçando a cair dos olhos
"Cheiro de menta e pipoca, Gosto de tomate, Vontade de chiclete. E tudo isso com pimenta"
Quem sou eu
- R.
- Me abre, me lê, confessa. Sou eu quem sei todos os seus segredos traduzidos em meus conflitos. Vem
sábado, 28 de julho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Amar é
Me revirava na cama até perceber que já tinha amanhecido.
Aquele gosto amargo de segunda-feira na boca, mas já era terça.
Era a segunda-feira de duas semanas atrás, a última que a sua voz tinha ecoado dentro de mim. desde então, continuo preso nesse dia, sempre com o gosto amargo.
Me levanto e o quarto está da mesma maneira há duas semanas, parecia que tinha perdido a vida que o fazia aconchegante, tornando-se apenas uma cova quente e mal iluminada.
O quarto, assim como a minha vida, estava estagnado no tempo e no espaço, sem forças ou vontade para voltar.
O celular sempre ao lado, este sim, vivia como se nada tivesse acontecido. Eu esperava que ele, ao contrário do computador, me trouxesse boas notícias. mas era uma espera que todos sabiam ser em vão.
Sem surpresas, sem carinho, sozinho. Só aquele gosto amargo de tomate que não me saía da boca.
Eu lutava insistentemente contra a minha inércia inapetente, eu queria me ferir, me matar, pra ver se ainda havia vida naquele sangue, mas o máximo que eu conseguia fazer era fingir que estava tudo bem e forçar o sorriso mais insosso que eu conseguisse.
O calendário não mudava, o relógio não passava... faltava alguma coisa aqui. eu sabia, todos sabiam, mas nada podia ser feito.
Mesmo as músicas haviam perdido a cor
Aquele gosto amargo de segunda-feira na boca, mas já era terça.
Era a segunda-feira de duas semanas atrás, a última que a sua voz tinha ecoado dentro de mim. desde então, continuo preso nesse dia, sempre com o gosto amargo.
Me levanto e o quarto está da mesma maneira há duas semanas, parecia que tinha perdido a vida que o fazia aconchegante, tornando-se apenas uma cova quente e mal iluminada.
O quarto, assim como a minha vida, estava estagnado no tempo e no espaço, sem forças ou vontade para voltar.
O celular sempre ao lado, este sim, vivia como se nada tivesse acontecido. Eu esperava que ele, ao contrário do computador, me trouxesse boas notícias. mas era uma espera que todos sabiam ser em vão.
Sem surpresas, sem carinho, sozinho. Só aquele gosto amargo de tomate que não me saía da boca.
Eu lutava insistentemente contra a minha inércia inapetente, eu queria me ferir, me matar, pra ver se ainda havia vida naquele sangue, mas o máximo que eu conseguia fazer era fingir que estava tudo bem e forçar o sorriso mais insosso que eu conseguisse.
O calendário não mudava, o relógio não passava... faltava alguma coisa aqui. eu sabia, todos sabiam, mas nada podia ser feito.
Mesmo as músicas haviam perdido a cor
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Ânsia
Doces, leves, apaixonadas. ou duras e frias. ou ríspidas.
Elas não são minhas, pertencem àqueles livros imóveis das prateleiras da biblioteca.
Eu as roubaria e as treinaria para serem minhas, minhas de verdade, para eu não aprender a me apaixonar e de repente tê-las em fuga de mim, da minha boca.
Com certeza eu as derramaria em uma folha branca de caderno, tentaria em vão costurá-las com a linha do sentido, e ainda assim seria feliz por isso.
Mas eu nunca as deixaria para trás, não elas, que descreveram o meu amor, as minhas lições, os meus anseios...
Eu quero as palavras pra mim, pra assim poder mostrar-lhe o quão doce a palavra pode ser.
Elas não são minhas, pertencem àqueles livros imóveis das prateleiras da biblioteca.
Eu as roubaria e as treinaria para serem minhas, minhas de verdade, para eu não aprender a me apaixonar e de repente tê-las em fuga de mim, da minha boca.
Com certeza eu as derramaria em uma folha branca de caderno, tentaria em vão costurá-las com a linha do sentido, e ainda assim seria feliz por isso.
Mas eu nunca as deixaria para trás, não elas, que descreveram o meu amor, as minhas lições, os meus anseios...
Eu quero as palavras pra mim, pra assim poder mostrar-lhe o quão doce a palavra pode ser.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
é ele
Você que diferente de todo mundo me deu um espaço.
Me conquistou e se deixou ser conquistado assim imagino. Porque não é de qualquer oposto que se aparece algo forte assim, como a gente vive por aí.
Mas eu gosto, por mais bobo que eu pareça, gosto do seu jeito sem jeito. Das suas piadas mais bestas. Da sua insegurança, boba, mas que eu acho a coisa mais fofa.
Eu gosto do jeito que você se veste, apesar de preferir quando está sem roupas, ao meu lado. Gosto do seu cheiro e me dói não te ter por perto quando sinto ele.
Na verdade, o que eu mais gosto é o seu jeito de me deixar te amar e o seu jeito de me amar. Suas mensagens de bom-dia, seu "boa noite" já com um gostinho de saudade na voz e seu beijo, nosso beijo, que me levanta não importando aonde eu esteja.
Você é o meu tipo, você é o meu menino, o meu homem. O que vai ficar lindo, acordando ou dormindo (e que por favor, seja ao meu lado). O que acerta ao presentear, mesmo que erre o presente.
Mas olha, não é segredo pra ninguém essa coisa de fazer o mundo acreditar que o meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro.
Me conquistou e se deixou ser conquistado assim imagino. Porque não é de qualquer oposto que se aparece algo forte assim, como a gente vive por aí.
Mas eu gosto, por mais bobo que eu pareça, gosto do seu jeito sem jeito. Das suas piadas mais bestas. Da sua insegurança, boba, mas que eu acho a coisa mais fofa.
Eu gosto do jeito que você se veste, apesar de preferir quando está sem roupas, ao meu lado. Gosto do seu cheiro e me dói não te ter por perto quando sinto ele.
Na verdade, o que eu mais gosto é o seu jeito de me deixar te amar e o seu jeito de me amar. Suas mensagens de bom-dia, seu "boa noite" já com um gostinho de saudade na voz e seu beijo, nosso beijo, que me levanta não importando aonde eu esteja.
Você é o meu tipo, você é o meu menino, o meu homem. O que vai ficar lindo, acordando ou dormindo (e que por favor, seja ao meu lado). O que acerta ao presentear, mesmo que erre o presente.
Mas olha, não é segredo pra ninguém essa coisa de fazer o mundo acreditar que o meu amor não será passageiro, te amarei de janeiro a janeiro.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Don't forget me
"Yes, the price that I paid was all I had
But at last I found release.
And if something good can come from bad,
The past can rest in peace.
Ah, if you see someone's hurt
And in need of a hand,
Don't forget me.
Or hear a melody cryin' from some baby grand,
Don't forget me.
When you sing happy birthday to someone you love
Or see diamonds you wish were all free,
Please say that you won't, I pray that you don't forget me"
Don't Forget Me - Katharine McPhee (from SMASH)
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Tango
Em algum lugar não muito adequado para uma descrição, eu me perdia em vinhos, cigarros, homens, mulheres e trocas de olhar. Sentado quase em posição estratégica, em uma cadeira de madeira, meu cigarro era acendido por um dos garçons que me olhava havia um tempo. Ele me veio com uma dúzia de meias palavras que pareciam ensaiadas e tiradas de livros baratos. Nem precisei fazer esforço para ignora-lo, o próprio percebeu que o melhor a fazer era voltar a servir os outros. Meu vinho esquentava, assim como eu dentro daquele terno preto. O que era fumaça de cigarro em um ambiente hostil acabou por se tornar uma inebriante iluminação de tom vermelho. Aquele tango que tocava no fundo do meu ser começava a ser traduzido nos violoncelos, pianos e violinos da banda. Achei que ele não teria audácia suficiente, mas lá estava ele: lindo como sempre, aquele sorriso cafajeste em seu rosto e trazia consigo mais um idiota iludido. Com o nível de álcool em meu sangue, havia apenas um sentimento preenchendo a minha mente quando eu olhava para ele, e não era raiva.
Aproximei-me dele, o tango continuava a tocar - adoro essa parte que são apenas os violinos - eu me aproximava como um tigre, sorrateiro, camuflado e com apenas um desejo em mente. O encontro, um primeiro choque, ele parecia não estar acreditando que eu estava indo falar com ele, com ambos, na verdade. Longas horas de conversa, e o tango vinha chegando ao ápice, assim como os três corpos na cama de um motel barato. O que aconteceu, não sei ao certo, apaguei completamente. Nunca me dei muito bem com vinho e cigarro. Só me lembro de estar acordando e encontrar os dois mortos na banheira do motel, e minhas mãos completamente sujas de sangue.
Aproximei-me dele, o tango continuava a tocar - adoro essa parte que são apenas os violinos - eu me aproximava como um tigre, sorrateiro, camuflado e com apenas um desejo em mente. O encontro, um primeiro choque, ele parecia não estar acreditando que eu estava indo falar com ele, com ambos, na verdade. Longas horas de conversa, e o tango vinha chegando ao ápice, assim como os três corpos na cama de um motel barato. O que aconteceu, não sei ao certo, apaguei completamente. Nunca me dei muito bem com vinho e cigarro. Só me lembro de estar acordando e encontrar os dois mortos na banheira do motel, e minhas mãos completamente sujas de sangue.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Palco
Tudo cru e nu. Não há cor, não há alma e nem corpo.
Um vazio de doer no peito, há quem interessar possa. Mas, com algumas palavras, que serão aparentemente sem nexo no início, mas ganharão a vida necessária quando for a vida que lhes colocar no mundo.
Aos poucos, tudo se constrói, as palavras passam a fazer mais sentido e aqueles barulhos ritmados - "5,6,7,8" - vão construindo aos poucos um reino que se habita de emoções à flor da pele.
A pele, coberta ou descoberta, se move, dança, grita, encanta e transforma. Tudo nu, tudo cru, por fora ou por dentro e tudo mais.
Um vazio de doer no peito, há quem interessar possa. Mas, com algumas palavras, que serão aparentemente sem nexo no início, mas ganharão a vida necessária quando for a vida que lhes colocar no mundo.
Aos poucos, tudo se constrói, as palavras passam a fazer mais sentido e aqueles barulhos ritmados - "5,6,7,8" - vão construindo aos poucos um reino que se habita de emoções à flor da pele.
A pele, coberta ou descoberta, se move, dança, grita, encanta e transforma. Tudo nu, tudo cru, por fora ou por dentro e tudo mais.
Assinar:
Postagens (Atom)
