Quem sou eu

Me abre, me lê, confessa. Sou eu quem sei todos os seus segredos traduzidos em meus conflitos. Vem

terça-feira, 3 de abril de 2012

desculpa

- Olha, me desculpa.
- Não é a mim que você deve desculpas...
- Mas se foi para você que eu não mandei mensagens? Devo desculpas a quem?
- Ao meu coração. É ele quem se machuca quando, mesmo sem querer, você provoca uma desatenção... Cuida, pra que ele não pare de bater.

terça-feira, 20 de março de 2012

Estranho natural

Esse toque íntimo, da minha sanidade aos prazeres utópicos.
Fora da minha zona de conforto, mas em uma zona que me deveria ser de conforto, junto àquele estranho natural que nem sei mais se conheço. Rei, réu ou rainha, nada importa para os prazeres que provei apenas no toque e nada mais.
O prazer que nunca me foi carnal, sempre foi inventado por aquela ponta de ilusão que adoça todas as minhas experiências.
Mas matei, a mim e ao rei, fui réu e condenado pelo crime perfeito. Condenado à felicidade momentânea, como um espasmo.
Então, vitimei o meu íntimo, aquele que nunca deixou de ser réu, e me tornei o rei.
Sozinho.

domingo, 18 de março de 2012

O ato

Não há companhia em uma noite morna e pouco ventilada de sábado.
Uma destemida gota de suor me cruza, impetuosa, sabendo que corre para a morte, mas ela é minha única companhia , breve, por assim se dizer.
Eu só queria ouvir uma voz, qualquer que seja.
O calor de um toque ou a frieza de um olhar.
A minha urgência física nunca conseguiu se calar, e na multidão de vozes que se fez do silêncio brotaram dos olhos as minhas outras companheiras da noite.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Gosto de tomate

Em meio aos lençóis, cigarros, vinho e o meu blues, que apelidei carinhosamente de samba.

Um pedaço da noite em que acordo do meu eterno sonho e finalmente me acho em meio à lucidez, faz-me necessário escrever e colocar pra fora aquilo que me prende e revolta. Se me permitem a paráfrase, caros leitores, porque sim este texto foi feito para vocês. Mas, se me permitem tal paráfrase, a vida é na verdade, uma luta de grandes egos.
Permitam-me então fazer comparação e inferência infeliz aonde percebo que por egos eu quero dizer máscaras, sim.
Gostaria de poder conseguir expressar por palavras a agonia e nojo que sinto de mim, dentro de mim. Algo repulsivo que de alguma maneira me faz achar que consigo esconder atrás de palavras bonitas o que eu realmente sou: o objeto repulsivo. Não caro leitor, por favor, mas a última coisa que preciso é da sua pena, guarde sua máscara para os outros, espero apenas o mísero da sua sinceridade ao sentir, ao menos, nojo de mim assim como eu sinto.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Fútil

Gosto de ser invisível.
Gosto de parecer invisível.
Para aqueles que passam, boa sorte
E para aqueles que ficam, sou mais doce que a morte
Não me notem, ou me foquem
Minha beleza e futilidade se cansa de vocês
Mas venha
Venha sem pretensões, ou qualquer conceito pré-concebido
Venha e se perca, em um particular que nunca foi infinito

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Dançando

Me assombra a maneira com que me tomo de independência, como se tivesse nascido pra viver nessa solidão cosmopolita de uma grande metrópole.
Vão e vem, a inegável profecia de todo dia, e se perdem em um mundo ao qual eu não pertenço.
- Passaram, não sei quantos por mim, não os vi - Eis a minha eterna preocupação.
Mas me perco, nesse súbito momento de lucidez, e volto à minha única companhia: solidão.
Como um grito mudo para uma sociedade surda, a vontade de estar com alguém se retorce em meu íntimo me revirando as entranhas, mas logo é acalmada com aquele som de silêncio que pesa os ouvidos. Ela então me pega e conduz, como o homem da relação. Eu danço a sua música, cujo ritmo é ditado pela batida do meu coração e a melodia são os passos, as buzinas e as conversas pegas pela metade, de pessoas que encontraram a sua metade.
Mas eu continuo, sempre cinza, sempre à margem. Com todos e sem ninguém: a maior dicotomia da minha vida.