Sempre achei difícil dormir de conchinha nesse calor, mas ali estávamos: eu, a parte de fora, protetora. Ele, a parte de dentro, protegida.
Ele se mexeu, soltou-se de mim, levantando da cama.
- Já vai? - Perguntei acostumado
- Pautado em quê você me pergunta isso?
- Todos vão. Cedo ou tarde todos vão...
Recostei-me na cama, assolado por um leve incômodo.
- E você não se importa com isso?
- Com o quê?
- Todos irem embora...
- Me acostumei. - falei, mentindo mais pra mim do que pra ele.
- Posso não ser nada, mas não precisa mentir.
Ele se aproximou um pouco mais de mim, quase um convite para algo mais intimista.
Olhei em seus olhos - merda! - alguma coisa me fez acreditar.
- Certo. Não me acostumei, mas não posso fazer muita coisa.
- Bem, eu já vou então...
Antes que eu pudesse pensar em algo mais, o meu corpo respondeu por mim - Fica!
Foi o que consegui dizer naquele momento.
- Mesmo sabendo que um dia eu vou embora?
- Fica. Fica agora, não pra sempre. Quero viver você agora, talvez eu nem te queira mais pela manhã. Fica.
- Eu não posso te dar a certeza de que continuarei aqui amanhã.
- Ninguém pode. Eu só quero a certeza do agora... Fica.
- Eu fico.
Ele ficou, pela eternidade que durou até o amanhecer.
"Cheiro de menta e pipoca, Gosto de tomate, Vontade de chiclete. E tudo isso com pimenta"
Quem sou eu
- R.
- Me abre, me lê, confessa. Sou eu quem sei todos os seus segredos traduzidos em meus conflitos. Vem
sábado, 29 de junho de 2013
domingo, 26 de maio de 2013
E o amor?
Há muito que não me sentia assim. E nem imaginava sentir, mas o local era levemente propício para tal.
Não sei o que aconteceu, sei apenas que te olhei e, traduzindo todos aqueles clichês românticos, apaixonei-me pela ideia de apaixonar-me por ti e, durante aqueles aproximadamente cem minutos, eu te amei.
Não vou mentir que a força com a qual se deu esse teórico sentimento me surpreendeu, imaginando eu que não fosse mais capaz de sentir algo nessa proporção, mesmo que fosse apenas utópico. Mas achei graça na minha tentativa de estar com, você mesmo não estando ao seu exato lado cartesiano.
Sabendo que todas as relações estão fadadas ao perecimento, fui arrumando as minhas coisas sem que você notasse. Meu ponto se aproximava e eu teria, mais cedo ou mais tarde, que dizer adeus - Não disse, apenas peguei a mochila, coloquei-a de lado e saí do ônibus sem olhar pra trás. A gente terminava aqui e agora o mais extenuante amor que já senti em uma viagem de ônibus.
Não sei o que aconteceu, sei apenas que te olhei e, traduzindo todos aqueles clichês românticos, apaixonei-me pela ideia de apaixonar-me por ti e, durante aqueles aproximadamente cem minutos, eu te amei.
Não vou mentir que a força com a qual se deu esse teórico sentimento me surpreendeu, imaginando eu que não fosse mais capaz de sentir algo nessa proporção, mesmo que fosse apenas utópico. Mas achei graça na minha tentativa de estar com, você mesmo não estando ao seu exato lado cartesiano.
Sabendo que todas as relações estão fadadas ao perecimento, fui arrumando as minhas coisas sem que você notasse. Meu ponto se aproximava e eu teria, mais cedo ou mais tarde, que dizer adeus - Não disse, apenas peguei a mochila, coloquei-a de lado e saí do ônibus sem olhar pra trás. A gente terminava aqui e agora o mais extenuante amor que já senti em uma viagem de ônibus.
quinta-feira, 16 de maio de 2013
"soma"
Tem coisas que a gente não precisa ver ou sentir pra saber que está ali, como o Sol.
Ninguém precisou me dizer que o sol ia nascer hoje de manhã, mas eu sabia que estava ali, e pra mim Amor é muito disso.
Talvez eu te ame, e torço para que você não precise de mim e nem que eu precise de você, só assim teremos a verdeira certeza do que passa a existir ali.
Existe. Existir irá. Existirá.
Ninguém precisou me dizer que o sol ia nascer hoje de manhã, mas eu sabia que estava ali, e pra mim Amor é muito disso.
Talvez eu te ame, e torço para que você não precise de mim e nem que eu precise de você, só assim teremos a verdeira certeza do que passa a existir ali.
Existe. Existir irá. Existirá.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Espólios
Recostado na sua cama, malas prontas, passagens, passaportes... Tudo no seu devido lugar. Você ainda dormia enrolado nos lençóis, parecia um anjo.
Suspirei e afundei-me na cama por alguns segundos torcendo para que você não acordasse. Algumas lágrimas ensaiaram sair, mas não havia espaço pra elas. Visitei nosso passado, nossas histórias e tudo passou como um rolo de filme. Vivemos tantas coisas.
Mas não tenho certeza se eu vivi, não tenho certeza do que eu vivi - eu não pertenço a este lugar - pensei, com um certo peso em casa palavra. Peguei minha mochila - só a mochila, o resto poderia ficar. Peguei seu porta-retratos com nossa foto favorita e guarde.
Pensei em dar um beijo de despedida mas... Você iria acordar e doeria mais do que já está doendo.
Peguei um papel, rabisquei alguma coisa e o coloquei no lugar que ficava o seu porta-retratos.
"vai doer te ver por aí."
Suspirei e afundei-me na cama por alguns segundos torcendo para que você não acordasse. Algumas lágrimas ensaiaram sair, mas não havia espaço pra elas. Visitei nosso passado, nossas histórias e tudo passou como um rolo de filme. Vivemos tantas coisas.
Mas não tenho certeza se eu vivi, não tenho certeza do que eu vivi - eu não pertenço a este lugar - pensei, com um certo peso em casa palavra. Peguei minha mochila - só a mochila, o resto poderia ficar. Peguei seu porta-retratos com nossa foto favorita e guarde.
Pensei em dar um beijo de despedida mas... Você iria acordar e doeria mais do que já está doendo.
Peguei um papel, rabisquei alguma coisa e o coloquei no lugar que ficava o seu porta-retratos.
"vai doer te ver por aí."
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Não mexe comigo
Sinto demais, e escrevo por isso. Só pra ver se alivia
Não pra trair alguém, não pra me declarar.
Não pra trair alguém, não pra me declarar.
segunda-feira, 25 de março de 2013
Rei de qualquer coisa
- Oi? Ah sim, claro.
Foi minha resposta pra qualquer coisa que você dizia.
Estávamos juntos, mais uma vez, mas eu não estava ali, meu pensamento voava tão longe que eu contava a quantidade de carros que passavam na rua. Um grito aqui, um apito ali e a sua voz que zumbia na minha cabeça.
Você parou de falar, imaginei que fosse a minha deixa pra mais uma resposta qualquer, mas ainda assim me mantive calado.
Vi uma folha cair de relance, na sua frente, sobre a mesa e você imitou-se como há dois anos:
- Guarda
Me entregou a folha. Fixei, estático.
- A folha ou as minhas lembranças?
- Foi como no primeiro encontro, não foi? Guarda.
- Não quero mais.
- A folha?
- Não, você.
terça-feira, 19 de março de 2013
Confessando através de outros
Confesso que as vezes sou contrário a usar os "titãs-clichês" da literatura.
As vezes uso Clarice por ter um pouco mais de intimidade, concedida a mim por mim, após ler alguns de seus livros. Nunca li nada do Caio Fernando, por exemplo, mas não resisti a esse texto dele que tive a felicidade de por os olhos hoje.
Confesso tanta coisa através dessas palavras de Caio Fernando que me sinto tão íntimo quanto como se eu tivesse lido alguma de suas obras. Ideias futuras... Ideias futuras...
"Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: 'Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.' Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você."
Caio Fernando
As vezes uso Clarice por ter um pouco mais de intimidade, concedida a mim por mim, após ler alguns de seus livros. Nunca li nada do Caio Fernando, por exemplo, mas não resisti a esse texto dele que tive a felicidade de por os olhos hoje.
Confesso tanta coisa através dessas palavras de Caio Fernando que me sinto tão íntimo quanto como se eu tivesse lido alguma de suas obras. Ideias futuras... Ideias futuras...
"Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente… um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem. Confesso que às vezes me dão umas crises de choro que parecem não parar, um medo e ao mesmo tempo uma certeza de tudo que quero ser, que quero fazer. Confesso que você estava em todos esses meus planos, mas eu sinto que as coisas vão escorrendo entre meus dedos, se derramando, não me pertencendo. Estou realmente cansado. Cansado e cansado de ser mar agitado, de ser tempestade… quero ser mar calmo. Preciso de segurança, de amor, de compreensão, de atenção, de alguém que sente comigo e fale: 'Calma, eu estou com você e vou te proteger! Nós vamos ser fortes juntos, juntos, juntos.' Confesso que preciso de sorrisos, abraços, chocolates, bons filmes, paciência e coisas desse tipo. Confesso, confesso, confesso. Confesso que agora só espero você."
Caio Fernando
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